KavukaGuia do RH
Glossário do RH

Todo o vocabulário do RH, em um só lugar

119 termos, siglas e conceitos de Recursos Humanos explicados de forma clara e direta — do turnover ao people analytics, da CLT ao background check, do recrutamento à LGPD. A referência de consulta do profissional de RH brasileiro.

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Recrutamento & Seleção

ATS

Applicant Tracking System

É um software que automatiza e organiza o processo de recrutamento, da divulgação da vaga à contratação, centralizando os candidatos num só lugar.

O ATS (Sistema de Rastreamento de Candidatos) gerencia todo o funil de seleção: recebe currículos, faz triagem inicial, move candidatos entre etapas e guarda o histórico. É a espinha dorsal tecnológica do recrutamento moderno e frequentemente se integra a ferramentas de verificação de antecedentes via API.

Entrevista por Competências

É a entrevista baseada em exemplos reais de comportamento passado do candidato para prever seu desempenho futuro.

Fundamenta-se no princípio de que o comportamento passado é o melhor preditor do futuro. Em vez de perguntas hipotéticas, pede situações concretas já vividas ("conte sobre uma vez em que..."). Reduz respostas ensaiadas e avalia competências de forma mais objetiva.

Fit Cultural

Culture Fit

É o grau de alinhamento entre os valores e o comportamento de um candidato e a cultura da empresa.

O fit cultural avalia se a pessoa vai prosperar no ambiente da organização, além de ter a competência técnica. Baixo fit cultural é uma das causas-raiz de turnover precoce, o que torna sua avaliação parte central de uma seleção madura.

Hard Skills

Competências Técnicas

São as habilidades técnicas e mensuráveis de um profissional, como domínio de idiomas, ferramentas, legislação ou programação.

As hard skills são adquiridas por formação, cursos e experiência, e podem ser comprovadas objetivamente. São mais fáceis de verificar que as soft skills, mas, sozinhas, não garantem bom desempenho — o equilíbrio entre técnica e comportamento é o que define uma boa contratação.

Headhunter

É o profissional ou empresa especializada na busca ativa de talentos, geralmente para cargos estratégicos ou de alta liderança.

O termo significa literalmente "caçador de cabeças". Diferente do recrutamento passivo (esperar candidaturas), o headhunter aborda ativamente profissionais qualificados, muitas vezes empregados em outras empresas, para posições específicas e difíceis de preencher.

Hunting

É o processo de busca ativa por candidatos qualificados, em vez de esperar que eles se candidatem espontaneamente.

Ligado ao trabalho do headhunter, o hunting é a abordagem proativa de talentos. O "hunting ground" é o campo de caça: os segmentos, empresas ou comunidades onde estão os profissionais mais aderentes à vaga.

Inbound Recruiting

É a estratégia de atrair candidatos por meio de conteúdo e marca empregadora, fazendo com que eles procurem a empresa.

Inspirado no inbound marketing, o inbound recruiting inverte a lógica tradicional: em vez de caçar candidatos, a empresa se torna desejável e atrai talentos organicamente, por meio de employer branding, conteúdo e reputação.

Job Description

JD

É a descrição formal de uma vaga, com cargo, atividades, responsabilidades e requisitos necessários.

A job description (descrição de cargo) é a base de todo processo seletivo: define o que a empresa procura e permite ao candidato avaliar sua aderência. Uma boa JD é clara, específica e alinhada à realidade da função, reduzindo incompatibilidades futuras.

Rampagem

Ramp-up

É o tempo que um novo colaborador leva desde o primeiro dia até atingir plena produtividade e entregar os primeiros resultados.

A rampagem mede a velocidade de integração produtiva. Quanto menor, mais rápido o investimento na contratação retorna. Um onboarding bem estruturado encurta esse período; uma contratação mal ajustada o alonga ou nunca o completa.

Recrutamento e Seleção

R&S

É o conjunto de processos que uma empresa usa para atrair, avaliar e contratar profissionais para preencher vagas abertas.

O recrutamento é a fase de atração de candidatos (divulgar a vaga, buscar talentos); a seleção é a de avaliação e escolha (triagem, entrevistas, testes). Juntas, formam o subsistema de RH responsável por trazer as pessoas certas para os lugares certos, com o menor risco possível de uma contratação equivocada.

RPO

Recruitment Process Outsourcing

É a terceirização total ou parcial do processo de recrutamento e seleção de uma empresa para um fornecedor especializado.

No RPO, uma empresa externa assume operações de R&S — desde a divulgação de vagas até a triagem e entrevistas. É usado por empresas que contratam em alto volume ou que preferem focar seu time interno em atividades estratégicas.

Shortlist

Lista Final

É a lista dos candidatos mais aderentes que avançam para as etapas finais do processo ou são apresentados ao gestor.

A shortlist é o resultado da triagem e das primeiras avaliações: o grupo seleto que merece atenção aprofundada. Uma shortlist bem construída economiza tempo do gestor e concentra a decisão nos candidatos com maior probabilidade de sucesso.

Skill-Based Hiring

Contratação por Competências

É a abordagem de contratação que prioriza as competências reais do candidato em vez de diplomas ou tempo de experiência.

O skill-based hiring avalia o que a pessoa sabe fazer, não apenas seu histórico formal. Ganha força porque amplia o acesso a talentos, reduz vieses e resiste melhor à era da IA — é mais difícil fabricar a demonstração de uma competência do que enfeitar um currículo com ela.

Soft Skills

Competências Comportamentais

São as habilidades comportamentais de um profissional, como comunicação, colaboração, liderança, empatia e adaptabilidade.

As soft skills influenciam como a pessoa trabalha e se relaciona. São mais difíceis de medir que as hard skills, mas cada vez mais decisivas: em um mercado onde a técnica se automatiza, o diferencial humano está no comportamento. Avaliá-las é papel de entrevistas comportamentais e assessments.

Talent Acquisition

TA

É a aquisição estratégica de talentos, focada não só em preencher vagas abertas, mas em construir um pipeline futuro de profissionais.

Diferente do recrutamento reativo (preencher a vaga de hoje), o talent acquisition tem visão de longo prazo: mapeia o mercado, cultiva relacionamento com talentos e antecipa necessidades. É a evolução do R&S para uma função mais estratégica e conectada ao planejamento de força de trabalho.

Talent Pipeline

É a lista de candidatos qualificados já mapeados que podem preencher vagas futuras conforme a necessidade da empresa.

O pipeline de talentos é uma reserva estratégica: em vez de começar do zero a cada vaga, o RH mantém relacionamento com candidatos promissores, acelerando futuras contratações. É a diferença entre recrutar reativamente e planejar a força de trabalho.

Talent Pool

Banco de Talentos

É a base de candidatos qualificados que já demonstraram interesse na empresa ou participaram de processos anteriores.

O talent pool (banco de talentos) é um ativo estratégico: em vez de recomeçar a cada vaga, o RH mantém relacionamento com bons candidatos, acelerando futuras contratações. Alimentá-lo é uma das vantagens do inbound recruiting e do talent acquisition bem feitos.

Triagem de currículos

Screening

É a filtragem inicial das candidaturas para identificar quem atende aos requisitos mínimos da vaga antes das etapas seguintes.

Historicamente feita por leitura manual (cada currículo consome de 30 a 90 segundos) ou por filtros de palavra-chave. Com a enxurrada de currículos gerados por IA, a triagem por palavra-chave perdeu eficácia, e a tendência é migrar para avaliação por competências (skills) e verificação de fatos.

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Métricas & Indicadores

9-Box

Matriz Nine Box

É uma ferramenta de avaliação que posiciona colaboradores numa matriz de nove quadrantes, cruzando desempenho atual e potencial futuro.

A matriz 9-box é usada na gestão de talentos e no planejamento de sucessão. Ao cruzar "desempenho" (eixo horizontal) com "potencial" (eixo vertical), ajuda a identificar quem deve ser promovido, desenvolvido ou realocado.

Absenteísmo

É o indicador que mede as ausências dos colaboradores no trabalho, sejam faltas, atrasos ou saídas antecipadas, justificadas ou não.

O absenteísmo (ou ausentismo) quantifica o tempo de trabalho perdido por ausências. Índices elevados podem sinalizar problemas de saúde, clima organizacional, desmotivação ou sobrecarga, e impactam diretamente a produtividade e os custos.

Custo por Contratação

Cost per Hire

É o valor total gasto para contratar um novo colaborador, somando divulgação, seleção, tempo de equipe e onboarding.

O cost per hire agrega todos os custos diretos e indiretos de uma contratação. É essencial para orçamento de RH e para construir o business case de investimentos em tecnologia que reduzem esse custo, como automação de triagem e verificação.

eNPS

Employee Net Promoter Score

É uma métrica que mede o nível de satisfação e lealdade dos colaboradores, com base na pergunta se recomendariam a empresa como lugar para trabalhar.

Adaptado do NPS (usado com clientes), o eNPS pergunta, numa escala de 0 a 10, o quanto o colaborador recomendaria a empresa. Os respondentes se dividem em promotores, neutros e detratores. É uma métrica direta e recorrente de engajamento e clima.

Headcount

É o número total de colaboradores de uma empresa, equipe ou área em um determinado momento.

Headcount ("contagem de cabeças") é a métrica mais básica de dimensionamento da força de trabalho. É usado em planejamento orçamentário, comparação entre áreas e cálculo de outros indicadores, como receita por colaborador.

KPI

Key Performance Indicator

É um indicador-chave que mede o desempenho de um processo ou o alcance de um objetivo estratégico.

KPIs (Indicadores-Chave de Desempenho) traduzem metas em números acompanháveis. No RH, KPIs comuns incluem turnover, tempo de preenchimento de vaga, custo por contratação, absenteísmo e eNPS. Bons KPIs conectam a gestão de pessoas aos resultados do negócio.

Presenteísmo

É quando o colaborador está fisicamente presente no trabalho, mas com produtividade reduzida por problemas de saúde, estresse ou desmotivação.

O presenteísmo é o oposto do absenteísmo e, muitas vezes, mais custoso e difícil de detectar: a pessoa está lá, mas não rende. Costuma ser sintoma de burnout, problemas de saúde ou desengajamento. Medi-lo e enfrentá-lo é parte da gestão de bem-estar e produtividade.

Quality of Hire

Qualidade da Contratação

É o indicador que mede o valor real que uma contratação trouxe, avaliando desempenho, adaptação e retenção do novo colaborador.

O quality of hire vai além de "preencheu a vaga": mede se a pessoa certa foi contratada, olhando performance, permanência e satisfação do gestor após a contratação. É uma das métricas mais estratégicas — e mais difíceis — do recrutamento, e é diretamente impactada pela qualidade da verificação e da avaliação de fit.

Time to Fill

Tempo de Preenchimento

É o tempo total entre a abertura de uma vaga e a contratação, medindo a eficiência do processo de recrutamento como um todo.

Enquanto o time to hire mede da entrada do candidato até a contratação, o time to fill mede desde a abertura da vaga. É útil para o planejamento: vagas que demoram a fechar geram custo de reposição, sobrecarga da equipe e perda de produtividade.

Time to Hire

Tempo de Contratação

É o tempo decorrido entre a abertura de uma vaga e a efetiva contratação do candidato escolhido.

O time to hire mede a eficiência do processo seletivo. Prazos longos podem fazer a empresa perder bons candidatos para concorrentes; prazos curtos demais podem indicar decisões sem contexto suficiente. Equilibrar velocidade e profundidade é o desafio.

Turnover

Rotatividade

É o índice que mede a taxa de entrada e saída de colaboradores de uma empresa em um determinado período.

O turnover (rotatividade) é um dos indicadores mais críticos do RH. Alto turnover sinaliza problemas de clima, liderança, remuneração ou de contratação. Existe o turnover voluntário (pedido de demissão) e o involuntário (desligamento pela empresa). Repor um colaborador pode custar de 50% a 200% do salário anual da posição.

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Remuneração & Benefícios

Benchmarking Salarial

É a comparação da remuneração praticada pela empresa com o mercado, para manter salários competitivos e justos.

O benchmarking salarial usa pesquisas de mercado para posicionar a empresa em relação a concorrentes (abaixo, na mediana ou acima). É essencial para atração e retenção: pagar muito abaixo do mercado é uma causa direta de turnover.

Hiring Bonus

Bônus de Contratação

É uma bonificação paga no ato da contratação para atrair um profissional, geralmente condicionada à permanência na empresa.

Também chamado de signing bonus, é usado para atrair talentos disputados, compensar bônus que o candidato deixaria na empresa anterior, ou fechar um pacote competitivo. Costuma ter cláusula de permanência mínima.

Pacote de Remuneração

Compensation Package

É o conjunto total de recompensas que um colaborador recebe: salário fixo, variável, benefícios e vantagens não financeiras.

O pacote de remuneração (ou remuneração total) inclui salário-base, bônus, participação nos lucros, benefícios (saúde, alimentação, previdência) e salário emocional. Benchmarks de mercado ajudam a mantê-lo competitivo para atrair e reter talentos.

PLR

Participação nos Lucros e Resultados

É um valor distribuído aos colaboradores atrelado ao alcance de metas e aos resultados da empresa, previsto em lei no Brasil.

A PLR é uma forma de remuneração variável que alinha os interesses dos colaboradores aos da empresa. Tem regras específicas na legislação brasileira, incluindo negociação com o sindicato e tributação diferenciada em relação ao salário.

Salário Emocional

São os benefícios não financeiros que aumentam a qualidade de vida e a satisfação do colaborador, como flexibilidade e propósito.

O salário emocional engloba tudo que retém e engaja além do dinheiro: flexibilidade de horário, home office, ambiente saudável, reconhecimento, propósito e desenvolvimento. Ganha importância à medida que profissionais valorizam qualidade de vida tanto quanto remuneração.

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Cultura, Clima & Engajamento

Clima Organizacional

É a percepção coletiva dos colaboradores sobre o ambiente de trabalho em um determinado momento.

Enquanto a cultura é estrutural e duradoura, o clima é a temperatura do momento: como as pessoas se sentem em relação à liderança, à carga, ao reconhecimento e às relações. É medido por pesquisas de clima e é um indicador antecedente de turnover e produtividade.

Cultura Organizacional

É o conjunto de valores, crenças, normas e comportamentos que definem como as pessoas agem e se relacionam dentro de uma empresa.

A cultura organizacional é o "jeito de ser" da empresa — o que é valorizado, tolerado e recompensado. Ela influencia contratação, retenção, engajamento e desempenho. Uma cultura forte e saudável é um dos ativos mais difíceis de copiar e mais decisivos para o sucesso.

DEI

Diversidade, Equidade e Inclusão

É o conjunto de práticas que promovem representatividade, tratamento justo e um ambiente onde todos pertencem, independentemente de suas diferenças.

DEI (do inglês Diversity, Equity & Inclusion) abrange políticas para diversificar o quadro (diversidade), garantir oportunidades justas (equidade) e criar pertencimento (inclusão). Além do imperativo ético, times diversos tendem a inovar e performar mais.

Employee Experience

EX

É a soma de todas as percepções e experiências do colaborador ao longo de sua jornada na empresa, do recrutamento ao desligamento.

A employee experience (experiência do colaborador) trata o funcionário como a área de produto trata o cliente: mapeando cada ponto de contato (candidatura, onboarding, desenvolvimento, saída) para torná-lo positivo. Boa EX aumenta engajamento, retenção e marca empregadora.

Employee Lifecycle

Ciclo de Vida do Colaborador

É a jornada completa da pessoa na empresa, da atração ao desligamento, com todas as etapas intermediárias.

O ciclo de vida do colaborador mapeia cada fase (atração, seleção, admissão, onboarding, desenvolvimento, retenção, offboarding) para melhorar a experiência em cada ponto. É a estrutura que organiza a estratégia de gente e conecta iniciativas de RH à experiência real vivida pelo colaborador.

Employee Value Proposition

EVP

É a proposta de valor ao colaborador: o conjunto de razões pelas quais alguém escolhe trabalhar e permanecer em uma empresa.

O EVP responde à pergunta "por que trabalhar aqui?". Reúne remuneração, carreira, cultura, propósito, liderança, benefícios e flexibilidade. É a base do employer branding: uma marca empregadora forte comunica um EVP autêntico e cumprido, o que atrai e retém talentos.

Employer Branding

Marca Empregadora

É a estratégia de construir e promover a reputação da empresa como um bom lugar para trabalhar, atraindo e retendo talentos.

O employer branding é a imagem da empresa no mercado de trabalho. Uma marca empregadora forte reduz o custo de atração, aumenta a qualidade das candidaturas e melhora a retenção. É construída com cultura real, experiência do colaborador e comunicação consistente.

Endomarketing

Marketing Interno

É o conjunto de ações de marketing voltadas para os próprios colaboradores, com o objetivo de motivá-los e engajá-los.

O endomarketing aplica técnicas de marketing internamente: comunicar valores, celebrar conquistas, fortalecer o senso de pertencimento. Um colaborador que "compra" a marca internamente tende a defendê-la externamente.

Engajamento

Employee Engagement

É o grau de comprometimento emocional e dedicação de um colaborador com a empresa e seu trabalho.

Colaboradores engajados são mais produtivos, permanecem mais tempo e defendem a marca. O engajamento vai além da satisfação: envolve conexão com o propósito, com a liderança e com o time. Baixo engajamento gera perdas bilionárias de produtividade globalmente.

ESG

Environmental, Social and Governance

É o conjunto de critérios ambientais, sociais e de governança usados para avaliar a responsabilidade e a sustentabilidade de uma empresa.

O RH é protagonista no pilar Social do ESG: diversidade e inclusão, saúde mental, equidade salarial, condições de trabalho e desenvolvimento. Cada vez mais, investidores e talentos avaliam empresas por esses critérios, o que torna a agenda ESG parte da estratégia de gente.

Gig Economy

Economia sob Demanda

É o modelo de trabalho baseado em contratações pontuais e flexíveis, como freelancers e prestadores, em vez de vínculos fixos.

A gig economy desafia o RH a gerir uma força de trabalho híbrida: além dos colaboradores CLT, freelancers, PJs e consultores sob demanda. Exige novas formas de integração, gestão e — importante — de verificação, já que prestadores também representam risco humano e de compliance.

Quiet Quitting

Demissão Silenciosa

É o comportamento de fazer apenas o mínimo exigido pelo cargo, sem esforço extra, como forma de desengajamento sem pedir demissão.

O quiet quitting não é literalmente pedir demissão, mas se desligar emocionalmente do trabalho: cumprir o combinado e nada além. É frequentemente um sintoma de burnout, falta de reconhecimento ou de perspectiva, e um sinal de alerta de clima para o RH.

Segurança Psicológica

Psychological Safety

É a percepção de que a pessoa pode se expressar, errar e questionar sem medo de punição ou humilhação.

Conceito popularizado pela pesquisa Project Aristotle, do Google, a segurança psicológica é o principal preditor de times de alta performance. Onde existe, as pessoas assumem riscos, dão feedback honesto e inovam. Onde falta, o silêncio esconde problemas até que virem crises.

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Desenvolvimento & Carreira

Avaliação 360 Graus

Feedback 360

É o método de avaliação em que o colaborador recebe feedback de todas as direções: líder, pares, liderados e autoavaliação.

A avaliação 360 graus dá uma visão completa e reduz o viés de uma única perspectiva. Ao cruzar percepções de diferentes relações, revela pontos cegos e fortalece o desenvolvimento. Exige maturidade e cultura de feedback para funcionar sem virar julgamento.

Avaliação de Desempenho

Performance Appraisal

É o processo estruturado de medir e analisar a performance de um colaborador em relação a metas e competências esperadas.

A avaliação de desempenho identifica pontos fortes, lacunas de desenvolvimento e necessidades de treinamento. Pode ser feita por gestor, pares (360 graus) ou autoavaliação. Bem conduzida, orienta desenvolvimento, remuneração e sucessão.

Coaching

É o processo estruturado de desenvolvimento focado em metas, desempenho e evolução, conduzido por um coach.

Diferente do mentoring (que compartilha experiência ao longo do tempo), o coaching é focado e orientado a objetivos específicos: melhorar uma competência, preparar para um desafio, superar um bloqueio. Pode ser conduzido por líderes treinados ou profissionais especializados.

Feedback

É o retorno estruturado sobre o desempenho ou comportamento de uma pessoa, com o objetivo de reforçar acertos ou orientar melhorias.

O feedback é ferramenta central de desenvolvimento e engajamento. Feedback frequente e de qualidade está associado a menor turnover. Pode ser positivo (reforço) ou construtivo (correção), e é mais eficaz quando específico, oportuno e focado em comportamento, não na pessoa.

L&D

Learning and Development

É a área e o conjunto de práticas dedicadas à aprendizagem e ao desenvolvimento contínuo dos colaboradores.

L&D (Aprendizagem e Desenvolvimento) é a evolução do antigo T&D (Treinamento e Desenvolvimento), com visão mais ampla e contínua. Coloca o colaborador como protagonista de seu crescimento, oferecendo trilhas, mentorias e recursos alinhados à estratégia do negócio.

Lifelong Learning

Aprendizado Contínuo

É a cultura de busca constante e voluntária por conhecimento ao longo de toda a vida profissional.

Diante da velocidade da mudança tecnológica, o lifelong learning deixou de ser diferencial e virou necessidade. O RH moderno estimula essa cultura com trilhas de aprendizagem, acesso a conteúdo e tempo para estudar — mantendo a força de trabalho relevante e empregável.

Mentoring

Mentoria

É o acompanhamento de um profissional por um mentor mais experiente, que compartilha conhecimento e orienta o desenvolvimento.

O mentoring é uma relação de desenvolvimento de longo prazo, focada em carreira e crescimento. Diferente do coaching (mais focado em metas e desempenho específicos), o mentor atua como conselheiro, transmitindo experiência e ampliando a visão do mentorado.

Offboarding

Desligamento

É o processo formal de desligamento de um colaborador, seja por demissão, pedido de saída ou aposentadoria.

O offboarding cuida da saída com o mesmo rigor da entrada: entrevista de desligamento, transferência de conhecimento, revogação de acessos e encerramento formal. Um bom offboarding preserva a relação, protege a empresa e gera aprendizado sobre as causas de saída.

OKR

Objectives and Key Results

É uma metodologia de gestão que define objetivos ambiciosos e os resultados-chave mensuráveis que indicam seu alcance.

O OKR conecta metas individuais, de área e da empresa, dando foco e transparência. Cada Objetivo (qualitativo, inspirador) tem Key Results (quantitativos, verificáveis). Popularizado pelo Google, ajuda a alinhar toda a organização em torno de poucas prioridades claras.

Onboarding

Integração

É o processo de integração e acolhimento de um novo colaborador, apresentando cultura, políticas, ferramentas e expectativas.

O onboarding vai além do primeiro dia: um bom programa se estende pelos primeiros meses e é decisivo para a retenção. É nele que se estabelecem expectativas, se acelera a produtividade (rampagem) e se reduz o risco de turnover precoce.

PDI

Plano de Desenvolvimento Individual

É o plano estruturado, criado entre líder e colaborador, com metas e ações para desenvolver competências específicas.

O PDI transforma a intenção de crescer em um roteiro concreto: quais competências desenvolver, com quais ações, em qual prazo. É uma das ferramentas mais eficazes de desenvolvimento e retenção, porque mostra ao colaborador um caminho claro de evolução dentro da empresa.

Plano de Sucessão

Succession Planning

É a estratégia de identificar e preparar colaboradores para assumir posições-chave no futuro, garantindo continuidade.

O planejamento de sucessão reduz o risco de vácuos de liderança. Ao mapear e desenvolver sucessores para cargos críticos, a empresa garante transições suaves e valoriza o crescimento interno, o que também fortalece a retenção.

Reskilling

É o treinamento que prepara o colaborador para assumir uma função nova e diferente da que exerce atualmente.

Enquanto o upskilling aprofunda a função atual, o reskilling requalifica a pessoa para outra função. É estratégico em cenários de automação e transformação, permitindo realocar talentos internos em vez de demitir e recontratar.

Upskilling

É o aprimoramento das habilidades que o colaborador já tem, para que ele evolua na função atual.

O upskilling atualiza e aprofunda competências existentes, mantendo o profissional relevante diante da evolução do mercado e da tecnologia. É parte central da estratégia de aprendizagem contínua e de retenção de talentos.

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Tecnologia, Dados & Estratégia

Change Management

Gestão da Mudança

É a disciplina de preparar e apoiar pessoas e áreas para adotar mudanças organizacionais, tecnológicas ou culturais.

Toda transformação (nova ferramenta, reestruturação, nova cultura) só funciona se as pessoas a adotarem. O change management cuida desse lado humano da mudança — comunicação, treinamento, engajamento. É o RH que costuma operacionalizar isso, o que também o expõe à fadiga de mudança.

CHRO

Chief Human Resources Officer

É o executivo máximo de RH, responsável pela estratégia de pessoas, cultura, liderança e transformação organizacional.

O CHRO (Diretor Executivo de RH) leva a voz da gestão de pessoas para a mesa da alta liderança. Atua em sucessão, cultura, produtividade e transformação, conectando a estratégia de gente aos resultados do negócio. É o ápice da carreira de RH e sinal da maturidade estratégica da função.

HCM

Human Capital Management

É o conceito e o conjunto de sistemas voltados à gestão integrada do capital humano, da atração à sucessão.

O HCM (Gestão de Capital Humano) é mais amplo que o HRIS: engloba toda a jornada do colaborador (recrutamento, desenvolvimento, performance, sucessão) numa visão estratégica que conecta pessoas aos objetivos do negócio.

HR Business Partner

HRBP

É o profissional de RH que atua como parceiro estratégico das áreas de negócio, conectando a gestão de pessoas às metas de cada time.

Conceito criado por Dave Ulrich, o HRBP é o elo entre o RH e as lideranças. Vai além da operação: analisa dados, entende necessidades específicas de cada área e contribui para decisões de estrutura, desenvolvimento e liderança.

HR Tech

São as empresas e soluções tecnológicas desenvolvidas especificamente para os processos de Recursos Humanos.

As HR Techs oferecem tecnologia para recrutamento, people analytics, engajamento, folha, verificação de candidatos e gestão de capital humano. Seu crescimento impulsionou a transformação do RH em área estratégica e orientada a dados.

HRIS

HR Information System

É o sistema de informação que centraliza e gerencia os dados de RH, como cadastro, folha, benefícios e movimentações.

O HRIS (Sistema de Informação de RH) é a base de dados operacional da gestão de pessoas. Guarda o histórico do colaborador e alimenta outros processos. Sua integração com ATS, folha e pesquisas é o que viabiliza (ou trava) o people analytics.

Inteligência Artificial no RH

IA / AI

É o uso de algoritmos capazes de simular a inteligência humana para automatizar e apoiar decisões de RH.

A IA no RH é usada para triar currículos, prever risco de turnover, identificar aderência comportamental, responder dúvidas de colaboradores e verificar candidatos. Bem calibrada, restaura o foco do humano no que exige julgamento; mal calibrada, amplifica vieses e erros.

Machine Learning no RH

ML

É a tecnologia que permite a sistemas aprenderem com dados históricos para melhorar previsões e recomendações no RH.

O machine learning (aprendizado de máquina) melhora com o tempo: filtros de triagem, previsões de desempenho e modelos de recomendação de candidatos ficam mais precisos conforme recebem mais dados confiáveis. A qualidade do dado de entrada é decisiva para a qualidade da previsão.

People Analytics

É o uso de dados e análise estatística para apoiar decisões sobre pessoas, como contratação, retenção e desempenho.

O people analytics transforma dados de gente (turnover, engajamento, desempenho) em insights acionáveis, movendo o RH da intuição para a evidência. Vai além do relatório (o que aconteceu) para responder por que aconteceu e o que fazer. Depende de sistemas integrados e de dados de qualidade na origem.

People Operations

People Ops

É a abordagem moderna e operacional do RH que une processos, dados, automação e experiência do colaborador para ganhar eficiência.

Popularizado por empresas de tecnologia, o People Ops aplica a mentalidade de operações ao RH: processos bem desenhados, automação do repetitivo e decisões baseadas em dados. O objetivo é liberar o time de gente para o trabalho estratégico e humano, tirando dele a carga braçal.

RH Estratégico

É o modelo de gestão de RH focado em contribuir diretamente para os objetivos e resultados do negócio, além da operação.

O RH estratégico deixa de ser apenas executor de processos administrativos e passa a influenciar decisões de negócio com dados e visão de longo prazo. Depende de reduzir a carga operacional (via automação) para liberar tempo ao pensamento estratégico.

Workforce Planning

Planejamento de Força de Trabalho

É o processo de prever quantas pessoas, com quais competências e em quais posições a empresa precisará no futuro.

O workforce planning evita tanto o excesso de pessoal quanto a falta de talentos críticos. Cruza estratégia de negócio, dados de turnover e tendências de mercado para antecipar necessidades — transformando a contratação de uma reação a vagas abertas em um movimento planejado.

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Legislação & Departamento Pessoal

Adicional Noturno

É o valor extra pago pelo trabalho realizado em horário noturno, conforme as regras da legislação trabalhista.

No trabalho urbano, o adicional noturno é de no mínimo 20% sobre a hora diurna, para o período entre 22h e 5h. A hora noturna também é reduzida (computada como 52min30s). É um dos adicionais legais que compõem a remuneração e precisam ser calculados corretamente na folha.

ASO

Atestado de Saúde Ocupacional

É o documento emitido por médico do trabalho que atesta a aptidão do colaborador para exercer sua função.

O ASO é obrigatório em exames admissional, periódico, de mudança de função e demissional. Faz parte do PCMSO e integra os eventos de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) do eSocial. Comprova que a empresa cuida da saúde ocupacional de seus colaboradores.

Aviso Prévio

É a comunicação antecipada do fim do contrato de trabalho, que pode ser trabalhada ou indenizada.

O aviso prévio dá tempo para as partes se prepararem. Em desligamento pela empresa, começa em 30 dias e ganha 3 dias por ano trabalhado, até o limite de 90 dias. Pode ser trabalhado (o colaborador cumpre o período) ou indenizado (a empresa paga sem exigir o trabalho).

Banco de Horas

É o sistema que permite compensar horas trabalhadas além da jornada com folgas, em vez de pagá-las como hora extra.

O banco de horas dá flexibilidade: as horas extras viram crédito para folgas futuras, conforme regras legais, acordo individual ou convenção coletiva. Precisa ser bem controlado para não gerar passivo — horas não compensadas no prazo devem ser pagas.

CAT

Comunicação de Acidente de Trabalho

É o documento oficial que comunica a ocorrência de um acidente de trabalho ou doença ocupacional aos órgãos competentes.

A CAT deve ser emitida mesmo em acidentes sem afastamento. É essencial para garantir os direitos previdenciários do trabalhador e para a empresa cumprir suas obrigações de SST. O atraso no envio (integrado ao eSocial) gera multas automáticas.

CIPA

Comissão Interna de Prevenção de Acidentes

É um grupo de representantes da empresa e dos colaboradores dedicado a prevenir acidentes e doenças no trabalho.

A CIPA é obrigatória conforme o porte e o risco da empresa. Composta por indicados do empregador e eleitos pelos colaboradores, atua na identificação de riscos e na promoção de um ambiente seguro, sendo parte central da política de saúde e segurança do trabalho (SST).

CLT

Consolidação das Leis do Trabalho

É a principal legislação trabalhista brasileira, que regula direitos e deveres de empregados e empregadores desde 1943.

A CLT é o alicerce das relações formais de trabalho no Brasil. Define jornada, férias, rescisão, adicionais e proteções ao trabalhador. Foi significativamente alterada pela Reforma Trabalhista de 2017, que modernizou vários pontos, incluindo homologação e novas modalidades de rescisão.

Convenção Coletiva

CCT

É o acordo firmado entre o sindicato dos trabalhadores e o sindicato patronal, aplicável a toda uma categoria.

A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) define regras para toda a categoria (piso salarial, benefícios, reajustes). Difere do Acordo Coletivo, que é firmado entre o sindicato e uma empresa específica. Ambos têm força de lei entre as partes e devem ser observados pelo RH e DP.

CTPS

Carteira de Trabalho e Previdência Social

É o documento que registra toda a vida laboral do trabalhador: empregos, salários e direitos previdenciários.

A CTPS, hoje predominantemente digital, é a prova formal do vínculo empregatício. Com a Carteira de Trabalho Digital, registros como admissão e desligamento são atualizados automaticamente via eSocial, dispensando a versão física.

Departamento Pessoal

DP

É a área responsável pelas rotinas legais e administrativas da relação de trabalho: admissão, folha, ponto, férias, encargos e desligamento.

O DP cuida da conformidade operacional: registro de empregados, cálculo de folha, obrigações no eSocial, afastamentos e rescisões. Enquanto o RH cuida da estratégia de gente, o DP garante que a relação de trabalho cumpra a legislação. Boa parte de sua carga é repetitiva e automatizável.

EPI

Equipamento de Proteção Individual

É o equipamento fornecido gratuitamente pela empresa para proteger o trabalhador contra riscos à sua saúde e segurança.

Capacetes, luvas, óculos e protetores auriculares são exemplos de EPI. A empresa é obrigada a fornecer, treinar no uso e fiscalizar. O fornecimento de EPI adequado pode, em certos casos, neutralizar adicionais de insalubridade. É parte central das Normas Regulamentadoras (NRs).

eSocial

É o sistema do Governo Federal que unifica o envio das informações trabalhistas, previdenciárias e fiscais dos colaboradores.

O eSocial centraliza dados de admissões, desligamentos, folha, jornadas, férias e eventos de saúde e segurança. Reduz burocracia e cruza informações entre órgãos. Exige do RH e do DP processos bem estruturados, dados consistentes e integração entre sistemas.

Exame Admissional

É o exame médico obrigatório realizado antes do início das atividades, para atestar a aptidão do candidato à função.

O exame admissional é parte da admissão e do PCMSO. Avalia se o candidato tem condições de saúde para exercer o cargo com segurança. Resulta no ASO (Atestado de Saúde Ocupacional) e é obrigatório antes do primeiro dia de trabalho, integrando os eventos de SST do eSocial.

FGTS

Fundo de Garantia do Tempo de Serviço

É uma poupança obrigatória formada por depósitos mensais do empregador (8% do salário) para proteger o trabalhador em situações específicas.

O FGTS é depositado pela empresa em conta vinculada na Caixa e não pode ser descontado do salário. Pode ser sacado em situações como demissão sem justa causa (com multa de 40% paga pela empresa), compra da casa própria ou aposentadoria. Hoje é gerido também pelo FGTS Digital.

Folha de Pagamento

É o processo mensal que calcula salários, descontos, benefícios, encargos, horas extras e impostos de todos os colaboradores.

A folha de pagamento é uma das rotinas mais críticas do DP: erros geram passivo trabalhista e insatisfação. Envolve proventos (o que o colaborador recebe) e descontos (INSS, IRRF, faltas). É integrada ao eSocial e exige precisão e conformidade com a legislação.

Holerite

Contracheque

É o documento que detalha a remuneração do colaborador no mês: proventos, descontos e o valor líquido a receber.

O holerite (ou contracheque) dá transparência ao pagamento. Discrimina salário-base, adicionais, horas extras (proventos) e INSS, IRRF, faltas (descontos). É um direito do trabalhador e um documento essencial para comprovação de renda.

Homologação

É o procedimento que confirma que a rescisão de um contrato foi feita corretamente, garantindo os direitos do trabalhador.

Após a Reforma Trabalhista de 2017, a homologação em sindicato deixou de ser obrigatória na maioria das rescisões (salvo previsão em convenção coletiva). Ainda assim, manter um processo formal e documentado é boa prática para segurança jurídica de ambas as partes.

Hora Extra

É o tempo trabalhado além da jornada contratual, remunerado com acréscimo de no mínimo 50% sobre o valor da hora normal.

A hora extra é regulada pela CLT. O adicional mínimo é de 50% em dias normais e 100% em domingos e feriados. Pode ser paga em dinheiro ou compensada via banco de horas. O excesso habitual de horas extras costuma sinalizar dimensionamento inadequado da equipe.

Insalubridade

É o adicional pago ao trabalhador exposto a agentes nocivos à saúde acima dos limites de tolerância, conforme laudo técnico.

O adicional de insalubridade (10%, 20% ou 40% conforme o grau) compensa a exposição a agentes como ruído, calor, produtos químicos ou agentes biológicos. Depende de avaliação técnica (laudo) e integra as obrigações de Saúde e Segurança do Trabalho (SST).

INSS

Instituto Nacional do Seguro Social

É o órgão da Previdência Social; no contexto do RH, refere-se à contribuição previdenciária descontada do salário e recolhida pela empresa.

A contribuição ao INSS financia benefícios como aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade. É descontada do colaborador em alíquotas progressivas e complementada pela cota patronal. Faz parte dos encargos calculados na folha e informados ao eSocial.

IRRF

Imposto de Renda Retido na Fonte

É o imposto de renda descontado diretamente do salário do colaborador, conforme a tabela progressiva da Receita Federal.

O IRRF é retido na folha e recolhido pela empresa. O valor depende da faixa de renda e do número de dependentes. É um dos principais descontos do holerite e precisa seguir a tabela vigente para evitar erros que geram problemas fiscais para empresa e colaborador.

Jornada de Trabalho

É o período em que o colaborador presta serviços ou fica à disposição da empresa, conforme contrato e legislação.

A jornada é regulada pela CLT (em geral, até 8 horas diárias e 44 semanais). Inclui regras sobre intervalos, descanso entre jornadas, horas extras e adicional noturno. Seu controle correto (via ponto) é essencial para evitar passivo trabalhista.

Justa Causa

É a rescisão por falta grave do empregado, que autoriza a demissão imediata sem parte dos direitos, conforme o art. 482 da CLT.

A demissão por justa causa exige comprovação de falta grave (roubo, insubordinação, abandono, entre outras do art. 482). O trabalhador perde aviso prévio, multa do FGTS, saque do FGTS e seguro-desemprego, mantendo apenas saldo de salário e férias vencidas. Por ser sensível juridicamente, exige documentação robusta.

Periculosidade

É o adicional de 30% pago ao trabalhador que exerce atividade com risco acentuado, como contato com inflamáveis ou eletricidade.

Diferente da insalubridade (dano à saúde no longo prazo), a periculosidade trata de risco à vida. O adicional é de 30% sobre o salário-base e se aplica a atividades definidas em norma, como energia elétrica, explosivos, inflamáveis e segurança patrimonial. Comprovada por laudo técnico.

Sindicato

É a entidade que representa os interesses de uma categoria profissional ou econômica nas relações de trabalho.

Os sindicatos negociam condições de trabalho, salários e benefícios por meio de acordos e convenções coletivas. Após a Reforma Trabalhista de 2017, seu papel na homologação de rescisões deixou de ser obrigatório na maioria dos casos, mas continuam centrais nas negociações coletivas.

TRCT

Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho

É o documento que formaliza a rescisão e detalha todas as verbas devidas ao trabalhador no desligamento.

O TRCT discrimina cada valor pago na saída. Desde a Reforma Trabalhista de 2017, a homologação em sindicato deixou de ser obrigatória na maioria dos casos, mas o TRCT continua sendo o registro formal essencial do acerto rescisório, comunicado ao eSocial via evento S-2299.

Verbas Rescisórias

São os valores devidos ao trabalhador no encerramento do contrato, como saldo de salário, férias, 13º e, quando aplicável, multa do FGTS.

As verbas rescisórias variam conforme o tipo de rescisão. Incluem saldo de salário, férias vencidas e proporcionais + 1/3, 13º proporcional, aviso prévio e multa do FGTS. São formalizadas no TRCT e, pela CLT (art. 477), devem ser pagas em até 10 dias do fim do contrato.

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Verificação, Compliance & LGPD

Background Check

Verificação de Antecedentes

É o processo de verificar a identidade de um candidato e validar informações de seu histórico antes ou durante o vínculo com a empresa.

O background check confirma a veracidade de dados declarados (histórico profissional, formação, identidade) e verifica registros relevantes, de forma proporcional ao cargo. No Brasil, deve observar a LGPD e a jurisprudência do TST, que exige pertinência com a função — checagens genéricas ou desproporcionais podem ser consideradas discriminatórias. Atua principalmente no pré-onboarding, reduzindo risco de fraude e de contratação equivocada.

Compliance

Conformidade

É o conjunto de práticas que garante que a empresa e seus colaboradores atuem em conformidade com leis, normas e políticas internas.

No RH, o compliance abrange desde o cumprimento da legislação trabalhista até programas de integridade que previnem fraudes e condutas antiéticas. Práticas como KYE e background check são ferramentas de compliance para gerir o risco humano dentro da organização.

Consentimento

É a autorização livre e informada dada pelo titular para o tratamento de seus dados pessoais para uma finalidade específica.

Na relação de trabalho, o consentimento tem uma fragilidade: a hierarquia entre empresa e candidato/colaborador pode viciar a "liberdade" da escolha. Por isso, a LGPD oferece outras bases legais que costumam ser mais robustas para o RH do que depender apenas do consentimento.

Dado Pessoal

É qualquer informação relacionada a uma pessoa natural identificada ou identificável, conforme a LGPD.

Nome, CPF, e-mail, endereço e histórico profissional são dados pessoais. No RH, quase todo processo trata dados pessoais de candidatos e colaboradores, o que exige base legal, finalidade clara e segurança. É o conceito fundamental sobre o qual a LGPD se constrói.

Dado Pessoal Sensível

É a categoria de dado que exige proteção reforçada: origem racial, religião, opinião política, saúde, vida sexual, dados genéticos ou biométricos.

Dados sensíveis têm regras mais rígidas na LGPD por seu potencial discriminatório. No RH, isso é crítico: não se pode consultar religião, orientação sexual, saúde ou filiação sindical de candidatos, e a legislação (Lei 9.029/95) reforça a proibição de práticas discriminatórias na contratação.

Due Diligence

É o processo de investigação e verificação de uma pessoa ou empresa antes de estabelecer ou manter uma relação.

No contexto de RH, a due diligence de candidatos e colaboradores confirma integridade, histórico e ausência de riscos relevantes. É a base do KYE e do background check, permitindo decisões fundamentadas em fatos verificados, e não apenas em entrevistas e percepções subjetivas.

Falso Positivo

É quando uma verificação aponta risco ou inconsistência que, na realidade, não corresponde corretamente à pessoa ou ao contexto.

O falso positivo é um risco central em verificações: um alerta indevido pode prejudicar injustamente um candidato. Causas comuns são homônimos e dados desatualizados. Por isso, um bom processo de background check exige validação de identidade e análise humana antes de qualquer decisão.

Homônimo

É a pessoa que tem nome igual ou semelhante ao de outra, o que representa um risco importante em consultas de antecedentes.

Homônimos são uma das principais causas de falso positivo. Um registro negativo pode pertencer a outra pessoa com o mesmo nome. Por isso, verificações sérias cruzam múltiplos identificadores (CPF, data de nascimento) e nunca decidem só pelo nome — protegendo o candidato e a empresa.

KYE

Know Your Employee

É a prática de conhecer, verificar e monitorar a integridade e o histórico de colaboradores ao longo de toda a sua jornada na empresa.

O KYE (Conheça Seu Colaborador) é a aplicação, ao público interno, da mesma lógica de due diligence do KYC (usado com clientes). Vai além do background check pontual: é um processo contínuo que acompanha mudanças de função, acessos sensíveis e sinais de risco. Integra o RH à estratégia de compliance e gestão de risco humano, sempre com base legal e proporcionalidade.

Legítimo Interesse

É uma base legal da LGPD que permite tratar dados para interesses legítimos da empresa, desde que respeitados os direitos do titular.

O legítimo interesse pode fundamentar, por exemplo, uma verificação de antecedentes proporcional ao cargo. Mas exige um teste de balanceamento: o interesse da empresa não pode se sobrepor aos direitos e expectativas do titular. É base poderosa, porém requer critério e documentação.

LGPD

Lei Geral de Proteção de Dados

É a lei brasileira que regula o tratamento de dados pessoais, incluindo os de candidatos e colaboradores.

A LGPD (Lei nº 13.709/2018) impacta diretamente o RH: coleta, uso e verificação de dados de candidatos exigem base legal, finalidade específica, minimização e transparência. Verificação de antecedentes só é legítima quando proporcional, pertinente à função e conduzida com segurança da informação.

PEP

Pessoa Exposta Politicamente

É a pessoa que ocupa ou ocupou cargo público relevante, sujeita a verificação reforçada por representar maior risco de compliance.

A identificação de PEPs faz parte de checagens de compliance e listas restritivas. No contexto de contratação e KYE, verificar se um candidato é PEP é relevante sobretudo para funções sensíveis, em setores regulados ou com exposição a risco de corrupção e lavagem de dinheiro.

Proporcionalidade

É o princípio de que a profundidade de uma verificação de candidato deve ser compatível com o risco e a natureza do cargo.

A proporcionalidade é o eixo jurídico e ético da verificação. Uma vaga de confiança, com acesso a valores ou dados sensíveis, justifica checagens mais robustas; uma função operacional, não. Verificar tudo de todos, sem pertinência com a função, pode ser interpretado como prática discriminatória pela Justiça do Trabalho. É a diferença entre gestão de risco e excesso.

Referência Profissional

É a consulta a antigos gestores ou colegas para validar o histórico, o comportamento e as entregas de um candidato.

A checagem de referências valida o que o candidato declarou e revela como ele atua na prática. Deve ser feita com critério e foco profissional (não invadir a esfera pessoal). Referências fabricadas são uma fraude frequente, o que torna a verificação da autenticidade dos contatos parte do processo.

Risco de Contratação

É a possibilidade de contratar alguém incompatível com a função, a cultura ou os requisitos legais e de confiança do cargo.

O risco de contratação abrange fraude, incompatibilidade cultural, incapacidade técnica e passivos legais. Gerenciá-lo é o objetivo do background check e do KYE: decisões baseadas em dados verificados reduzem a chance de uma contratação equivocada, cujo custo pode chegar a várias vezes o salário do cargo.

Risco Humano

É o risco que colaboradores, terceiros ou candidatos podem representar à segurança, à reputação ou às finanças da empresa.

O risco humano é uma das principais vulnerabilidades corporativas — estudos apontam que metade das violações de segurança envolve um componente interno. Gerenciá-lo é o objetivo do KYE e do background check: conhecer quem entra e monitorar quem já está, de forma proporcional e legal.

Validação de Identidade

É a confirmação de que a pessoa é realmente quem afirma ser, por meio de documento, CPF, biometria ou cruzamento de dados.

A validação de identidade é o primeiro passo de qualquer verificação confiável: sem confirmar quem é a pessoa, todo o resto fica frágil. Ganhou importância com o aumento de fraudes de identidade e deepfakes em processos seletivos, especialmente em contratações remotas.

Verificação de Formação

É a confirmação da autenticidade de diplomas, certificados e cursos informados por um candidato.

A verificação de formação combate a fabricação de credenciais — um dos tipos de fraude mais comuns em currículos. Confirma se a instituição existe, se o curso foi concluído e se o diploma é válido. É proporcional ao cargo: mais crítica em funções que exigem qualificação formal específica.

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